O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou hoje em frente ao Senado após se tornar réu por tentativa de golpe de Estado. Em quase uma hora de fala, ele admitiu que discutiu "hipóteses" com os comandantes das Forças Armadas, atacou ministros do STF e voltou a defender o voto impresso.
O que aconteceu
Acusações são "graves e infundadas", disse Bolsonaro. "Ontem fui ao Supremo, foi uma decisão de última hora. Hoje resolvi não ir, motivo: obviamente sabia o que ia acontecer", falou. "Parece que eles têm algo pessoal contra mim, e as acusações são muito graves e infundadas".
O ex-presidente afirmou que teria desencorajado manifestações violentas em transmissões ao vivo nas redes sociais. Bolsonaro apontou que o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, escolheu não juntar essas imagens ao processo. "Ele bota o que ele quer lá, por isso que os inquéritos dele são secretos", declarou.
Bolsonaro já havia feito declarações que indicavam uma possível ruptura com outros Poderes. Em 2021, durante atos do 7 de Setembro, ele disse que não cumpriria qualquer decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Ele também lançou dúvida sobre a conduta de Flávio Dino enquanto era ministro da Justiça. "O ministro Flávio Dino, na Justiça, negou os vídeos do 8 de Janeiro. [Tinha] quase 200 máquinas. Ele entregou apenas quatro vídeos, e falou que tinha um contrato vencido. Pelo amor de Deus, eu que sou golpista?".
Ex-presidente negou tentativa de golpe. Segundo, a assinatura de um decreto não significaria nada, porque seria necessário convocar os conselhos da República antes. "Não convoquei os conselhos da república, nem atos preparatórios houve para isso. Se é que você trabalhar com o dispositivo constitucional, é sinal de golpe. Golpe não tem lei, não tem norma", falou.
Ele admitiu, porém, que discutiu "hipóteses de dispositivos constitucionais" com os comandantes das Forças Armadas. "Os comandantes jamais embarcariam numa aventura. Eu discuti hipóteses de dispositivos constitucionais. Isso não é crime."
Ele também comparou o Brasil à Venezuela e voltou a fazer ataques infundados à urna eletrônica. "O voto impresso é um direito, como a contagem publica de votos tem que ser feita", declarou.
A Primeira Turma do STF decidiu hoje, por unanimidade, tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Agora, o tribunal iniciará a ação penal que poderá condenar ou absolver o ex-presidente e os demais acusados.
Jair Bolsonaro fala após se tornar réu por tentativa de golpe de Estado
Imagem: Maria Eduarda Bacellar - 26.mar.2025/UOL
O que Bolsonaro disse?
Vivemos momento de intranquilidade no Brasil por causa especial da criatividade de alguns.
Eleições sem voto impresso é fraude. [...] Outros dez, doze falavam a mesma coisa, eu não era sozinho, não estava sozinho na defesa do voto impresso. Não sou obrigado a acreditar, confiar no programador.
Tudo que acontece aqui por parte do senhor Alexandre Moraes é confidencial, é secreto. Oito delações do Cid, secreto. E o que está lá dentro que vocês podem pedir via LAI à Justiça Eleitoral? Quem já pediu já sabe que é negado o acesso. Mas espera aí: fala-se tanto de democracia, estado democrático de direito e um documento como esse, que trata da lisura sobre as eleições, a apuração de de fraude contra o candidato Jair Bolsonaro, você não pode tomar conhecimento disso?
Aprendi desde jovem que a alma da democracia é o voto. E o voto contabilizado. Por que você não pode tomar conhecimento desse inquérito? O que que tem lá dentro? O que que o ministro Alexandre Moraes quer esconder.
Fonte: UOL
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